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16/07/2013 - Hábitos saudáveis e treinamento ajudam a melhorar a memória, apontam especialistas

Por que algumas pessoas têm boa memória e outras não? A pergunta pode soar meio enigmática, mas saiba que a capacidade de memorização depende de vários aspectos. Existe, por exemplo, um importante componente genético: há quem nasça com uma aptidão de concentração, retenção e evocação mais desenvolvida. Porém, a esse presente dos genes vem se juntar uma série de fatores ambientais que também influenciarão, potencializando ou esmagando tal habilidade.

"Contam idade, atividade profissional, grau de escolaridade, ritmo do sono, prática de atividade regular, uso ou não de medicamentos que possam atrapalhar o processo, consumo ou não de álcool, nicotina e outras drogas, grau de organização e, claro, treinamento da memória", salienta Leandro Teles, médico neurologista membro do corpo hospitalar do Albert Einstein, Sírio Libanês, Oswaldo Cruz e Samaritano, todos em São Paulo.

Com ele concorda Nanci Azevedo Cavaco, psicopedagoga e neurocientista com especialização em memória e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), sócia-diretora da Academia do Cérebro, no Rio de Janeiro. "Fatores hereditários inclinam, mas não são determinantes. Atitudes saudáveis – desde dormir bem e se exercitar até ter uma boa alimentação – contribuem muito para melhorar essa capacidade. Em uma comparação apenas ilustrativa, pense em uma pessoa magérrima que, à medida que faz musculação e come direito, começa a ganhar massa muscular. É mais ou menos a mesma coisa, o cérebro vai sendo turbinado."

Em outras palavras, o componente ambiental pode limitar ou ampliar o resultado impresso no código genético. "Por isso, vale a pena, sim, mudar os hábitos e treinar a memória para obter melhores resultados", completa Leandro Teles.

A emoção ajuda, e muito

Importante: embora o cérebro registre todas as experiências que vivemos, não significa que as guarde. Para memorizar algo, é necessário que haja atenção, concentração, repetição, motivação e emoção. "Quanto maior a carga emocional, mais possibilidade de fixação, incluindo situações engraçadas e discrepantes", salienta Nanci Cavaco. Segundo o neurologista Teles, a cabeça recebe a cada segundo milhares de estímulos externos (visuais, auditivos, táteis) e internos (pensamentos, raciocínios, associações) e não é capaz de lidar com todos eles. "O primeiro gargalo é a atenção: apenas alguns são realmente percebidos e, depois, classificados segundo um grau de relevância."

Complicado? Sem dúvida. O cérebro, inteligentemente, só irá memorizar o que julgar importante para o futuro. Fixará, por exemplo, estímulos que destoam do ambiente, ou estão dentro da nossa área de interesse atual, ou que se apresentam em contextos emocionais, bons ou ruins. "Há parâmetros conscientes e inconscientes nessa seleção", diz Leandro Teles.

 "Puxar" pela memória

Mas não pense que o processo cessa por aí. Não basta atentar e reter uma informação, é preciso conseguir resgatá-la depois. Para isso, parece incrível, mas o sistema nervoso deixa um rastro, de forma que a memória encontre um limiar de evocação.

"Para trazer o dado à tona, precisamos puxar a fio da meada, achar o link correto dentro da cabeça. Trata-se de um recurso complexo e sequencial, cheio de filtros e armadilhas", considera o neurologista. Para um bom resultado, é fundamental ter um cérebro apto (descansado, atento e concentrado) diante de um estímulo adequado (claro, intenso e eficaz).

Outra dúvida frequente diz respeito à relação entre memória e inteligência. Na opinião de Nanci Azevedo Cavaco, pessoas que memorizam com facilidade têm mais chance de melhorar sua inteligência. Para Leandro Teles, o poder de memorizar é um dos aspectos que compõe a capacidade intelectual. "Indivíduos argutos são atentos, engajados, criativos, com bom raciocínio lógico sequencial, poder de previsão de resultados, talento estratégico para levar a cabo determinada missão e, em geral, apresentam boa memória. Claro que nem sempre todas essas inclinações vêm juntas e bem desenvolvidas, existem composições variadas das citadas características."

O neurologista admite, ainda, que há sujeitos brilhantes com memória ruim – embora seja uma minoria – e outros com memória prodigiosa que não são exatamente bem dotados intelectualmente.

Com a idade, há um natural declínio

É importante considerar, ainda, que a propensão para memorizar o novo depende da idade. Com o passar dos anos, ocorre uma discreta perda de retenção, perceptível geralmente após os 60. "Tal processo não traz grande prejuízo no dia a dia. O problema é que, em alguns casos, o envelhecimento vem acompanhado de doenças que aceleram muito esse curso, como o Alzheimer, a depressão, o hipotireoidismo e as lesões das artérias cerebrais", salienta Leandro Teles.

Aí, o declínio patológico, com redução intensa da massa cerebral empenhada na cognição, fruto de distúrbios clínicos e neurológicos durante a vida ou na já na terceira idade, junto a um cotidiano cronicamente desregrado, será marcado por esquecimentos e inabilidade intelectual evidente.

Por outro lado, se não há doenças envolvidas, o comprometimento da memória pode ser compensado por fatores como experiência de vida, organização das atividades, treinamento cerebral e hábitos saudáveis. "Já está mais do que provado que o declínio cognitivo é maior dentre os que param no tempo e não cultivam amigos, ocupações e uma rotina que inclua exercícios físicos.

Por outro lado, vemos jovens que, em função da vida acelerada, acabam com a memória prejudicada por falta de atenção, noites de sono perdidas, uso de álcool e drogas. Portanto, o processo de degradação pode ocorrer em qualquer idade se não houver cuidado e estímulo", destaca a psicopedagoga Nanci Cavaco.

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